No primeiro dia da Feira do Bem Viver, o evento atraiu brasileiros e venezuelanos, alguns como expositores e outros como consumidores. Além de arepas, pizzas, bolos, bolsas, sabão e entre outros empreendimentos, o evento desta sexta, organizado pelas instituições da igreja católica, cumpriu com uma das metas do projeto “Caminhos de Solidariedade”.
“Aqui no Brasil vendemos pipoca, dos dois tipos, e a gente se fascina quando prova a banana frita. Vamos nos jogos de futebol e na rodoviária e vendemos bem. A Cáritas nos ajudou com os materiais, como óleo, açúcar e milho para fazermos essas pipocas para vender. Moro em Caracaraí, estou no estado tem quase dois anos, mas na Cáritas faz um mês, e a ajuda dela foi muito importante, me ajudou a juntar mais dinheiro para minha família”, comenta expositor venezuelano da feira, Jorge Blanco.

De acordo com o bispo da Diocese de Roraima, Dom Mario Antonio, a Feira é sempre um momento de exposição, no sentido de processo de algo que é produzido com esforço humano, com habilidade e talento. O projeto ajuda a dar visibilidade ao processo que dignifica o ser humano nas suas habilidades e em suas características.

“Estamos realizando essa Feira porque entendemos que ela é um prolongamento de tudo aquilo que entendemos por Cáritas, que é o resgate a vida, liberdade, felicidade das pessoas, realização pessoal e a entreajuda. O fato de terem vários expositores faz com que o projeto nos una em harmonia e que favoreça a comunhão entre as pessoas. Sobretudo, nesse momento que vivemos de tanta necessidade de comunhão, com a realidade da migração em nosso estado de Roraima”, comentou bispo, Dom Mario.

A Feira contou com uma rica programação, desde apresentações culturais de Capoeira e peça teatral com as crianças da Fundação Fé e Alegria, até a apresentação musical do grupo venezuelano Traboquito.
Por meio da Cáritas Diocesana, a Diocese de Roraima e diversas instituições da Igreja Católica iniciaram o projeto “Caminhos da Solidariedade” com o apoio da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), Cáritas Brasileira, SPM (Serviço Pastoral do Migrante), IMDH (Instituto de Migrações e Direitos Humanos), SJMR (Serviço Jesuíta para Migrantes e Refugiados).
“A grande importância desse projeto é de ajuda humanitária, ele beneficiou vários municípios, áreas e paroquias. Inclusive, minha área foi beneficiada com 11 projetos. A gente viu a felicidade de quem participa desse projeto, a importância de poder dar continuidade a vida e ter seu próprio sustento para poder sobreviver. Sabemos que a situação do povo venezuelano aqui é muito triste, é um povo em estado de vulnerabilidade que está sendo excluído. Nossa ideia é de inclusão desse povo, para que eles também se sintam mais valorizados. Tenho certeza que quem participou do projeto irá dar continuidade ao seu empreendimento e fazer crescer”, ressaltou o tesoureiro da SPM, Natanael Gomes.

CONTINUA: A programação da Feira continua neste sábado, 14, a partir das 9h e segue durante todo o dia até às 21h. Neste segundo dia, o evento contará com a oficina sobre “Economia Popular Solidária”, ministrada por Alfa Martins, da Cáritas da Arquidiocese de Manaus, além da “Oficina Ecológica para Crianças”, ministrada por Elis Dias, Maria Eugênia, Vanusa Souza e Veridiana Lopes, da Cáritas Diocesana de Roraima.